Actores e espectadores
Assistimos a pais dispensarem os filhos como se fossem um fardo.
Assistimos a namorados a dispensarem as namoradas como se o amor nunca tivesse existido.
Assistimos a amigos dispensarem os amigos como se estes já estivessem gastos.
Assistimos a pessoas a tratarem mal o seu corpo como se este não tivesse qualquer valor, a maltratar o mundo como se este não tivesse qualquer importância, a ignorar o outro como se ele não existisse.
As “vítimas” somos todos nós e os “criminosos” também... parece uma volta sem volta, parece um futuro sem retorno, parece uma vida sem vida.
Não me identifico nem um pouco com tudo isto e talvez por isso queira desistir, exigir faz-me ruir. Parece que exijo algo que não pode existir e que um dia me tornarei inevitavelmente uma “criminosa”.
Mas sou tão culpada e inocente como todos os outros. Parece que este mundo não me pertence ou que eu não pertenço a este mundo. Mas na realidade, eu falho tanto como todos os outros.


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