All for love

16 julho 2006

Uma pequena retirada

Já tinha saudades de escrever para vocês, de me poder inspirar na beleza da vida, de me sentir mais útil para o universo, de buscar nas palavras a conquista de sonhos…

Ficam para trás horas infinitas de trabalho e o desejo de matar saudades dos amigos e saborear a natureza. O meu trabalho terminou e foi dolorosa a despedida, para mim e para as crianças, mas maravilhosa a certeza de uma dedicação valorizada por todos e de um prazer por ter dado o melhor. Meninos e meninas, vou ter saudades vossas e vou recordar para sempre aquilo que me ensinaram ao longo deste ano lectivo. Vou recordar os vossos sorrisos sinceros e apaixonados por uma vida que partilhamos em doces momentos.

Voltei, mas por pouco tempo, espera-me um novo desafio e a realização do princípio de um sonho, vou estar ausente por mais quinze dias fazendo voluntariado com crianças, tentando enriquecer os seus dias com os bons sabores da vida. Até lá sejam felizes…. Vivam os sonhos e sorriam para a vida que está quente!!

15 julho 2006

"Poderão duas pedras apaixonarem-se?"

14 julho 2006

O telemóvel toca

Já dizia uma professora minha…”é preciso usar o BS”. E a questão do telemóvel não fica de todo mais aquém desta opção. Os telemóveis são muito úteis, é verdade! Diria mesmo que em determinadas situações são indispensáveis até, se bem que há alguns anos atrás esta questão não se colocaria….Digamos que é a modernidade!
Mas o BS onde é que está? O telemóvel toca, até vibra e tudo. Em qualquer momento em qualquer lugar: no café, no cabeleireiro, no médico, na missa, numa reunião, numa aula, numa praia, numa conferência, no cinema, num jantar romântico, numa conversa de amigos…até à quem durma com ele. Nem sequer vou lembrar dos prejuízos para a saúde, porque esses já todos sabem, mas talvez prefiram acreditar na sorte do que pensar na prevenção…
O BOM SENSO acabou! Os professores atendem o telemóvel na sala de aula, os alunos escrevem mensagens durante a aula…os telemóveis ficam ligadas em todo o sítio e as conversas param só para calar os telemóveis. Tudo pára: É O SENHOR TELEMÒVEL! Quantas vezes observamos grupos de pessoas sentados na mesma mesa que não comunicam entre si, falando ao telemóvel.
Os portugueses aderiram ao telemóvel de forma apaixonada e criaram uma dependência ainda que não assumida. Se não existe BOM SENSO o telemóvel deixa de ser algo útil e passa a constituir um ruído nas nossas vidas e uma fuga ao contacto real com os outros que é tão mais maravilhoso.

Parece que já não estamos efectivamente, de corpo e alma, em nenhum lugar normal, mas que vivemos no planeta telemóvel. Só gostava que os portugueses vivessem mais no planeta terra, saboreassem mais a vida, e comunicassem melhor entre si sem a ajuda abusiva deste aparelho. Porque até sabe bem quando ficamos sem bateria, ficamos mais livres e observamos melhor o que nos rodeia
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13 julho 2006

Deus Abençoe as Más Mães

Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais, eu dir-lhes-ei:

“Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão e a que horas regressam a casa;
Eu amei-vos o suficiente para ter insistido que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar;
Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia;
Eu amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono:”Eu roubei isto ontem e quero pagar”.
Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, 2horas, enquanto limpavam o vosso quarto (eu teria feito isso em 15 minutos);
Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações me partiam o coração:
Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver: fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos;
Mais que tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando eu sabia que iriam odiar-me por isso.

Estou contente. Venci!
Vencemos todos, porque quando os vossos filhos vos perguntarem como era a vossa mãe irão dizer:”Era má, era a pior Mãe do Mundo”. E nessa altura irão contar-lhes:

“Os outros miúdos comiam doces ao pequeno-almoço, nós tínhamos de beber leite e comer flocos;
Os outros miúdos bebiam cola ao pequeno-almoço e comiam batatas fritas, nós tínhamos de comer sopa, 2º prato, fruta e sentados à mesa;
Era quase uma prisão, a mãe tinha de saber sempre onde estávamos;
Ela tinha de saber quem eram os nossos amigos e o que fazíamos com eles;
Na verdade ela violou as leis do trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, aprender a cozinhar, aspirar, esvaziar o lixo e todo esse tipo de trabalhos cruéis. A mãe nem dormia a pensar no que nos havia de mandar fazer;
Insistia sempre para que lhe contássemos a verdade e até nos conseguia ler os pensamentos…Era mesmo chata a nossa vida!
A Mãe não deixava os amigos buzinarem para descermos. Tinham de subir, bater à porta, para ela os conhecer;
Enquanto já toda a gente podia sair à noite, nós tivemos de esperar pelos dezasseis anos,
Por causa da nossa mãe nós perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de prioridade, nem fomos presos por qualquer tipo de crime… Tudo por causa dela!

Agora que sou uma pessoa adulta, honesta, educada e responsável também tento ser uma “Má Mãe”. Aliás, acho que um dos males do mundo hoje é: NÃO HAVER SUFICIENTES MÃES MÁS!

12 julho 2006

A inutilidade do Sofrimento

Ao que parece 95% do nosso sofrimento é inútil. Então o que justifica horas e horas, dias e dias de sofrimento? Quanta energia é gasta em preocupações inúteis…? Tão facilmente sofremos e desperdiçamos tempo com isso.
Será que a nossa vida é assim tão difícil e estará a felicidade tão distante?
Existem determinados acontecimentos pelos quais passamos onde é impossível evitar o sofrimento como a morte de alguém querido, um acidente, uma doença grave… Apesar disso, está provado que sofremos não tanto pelo que nos acontece, mas pela forma como interpretamos a vida, pelos pensamentos negativos que tanto nos confundem a vida. A verdade é que podemos ser felizes colocando o cérebro “a nosso favor”.
Então pense, parte das suas preocupações não passam por coisas que ditas não têm importância nenhuma?
Acredite que com o mesmo pode viver muito bem ou muito bem ou muito mal, a opção está só na sua cabeça. Aproveite o erro para aprender e não para se martirizar. Repare no positivo e deixe de sofrer inutilmente. Confie em si próprio, os pensamentos determinam as emoções e o pessimismo é altamente contagioso. Tenha consciência que não é nenhum “Deus”…
É preciso saber viver!

11 julho 2006

Lugares Extraordinários

10 julho 2006

Birras

Quem não as tem? Contudo e apesar disso, as birras verificam-se com mais frequência no desenvolvimento normal das crianças. E, mesmo considerando que elas fazem parte do crescimento das crianças, em exagero, fazem mal. Elas dar-nos-ão a indicação de algo errado no comportamento das crianças.
O comportamento das crianças depende das respectivas consequências. Se a conduta é reforçada, mantém-se no futuro, senão é reforçada ou punida tende a desaparecer.
Para que uma criança aprenda, é necessário que a mesma conduta tenha sempre o mesmo tipo de consequência, pois isso permitir-lhe-á distinguir o certo do errado.
E como mais vale prevenir do que remediar aqui ficam alguns conselhos para vos ajudar: reforce sempre os comportamentos adequados da criança, comece primeiro por condutas fáceis de modificar, certifique-se que as contingências são sempre as mesmas, propicie situações de cooperação, crie uma rotina, dê instruções curtas, claras e espaçadas, mantenha o bom humor e controle a cólera, não culpabilize a criança…Quem sabe se assim evitarão aquelas birras que vos fazem passar vergonha, ainda que às vezes seja o mal necessário, e assim possam evitar a futura desobediência dos vossos filhos.

09 julho 2006

Só pelo prazer de partilhar

Esta é só
Uma noite para partilhar
Qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
Um lugar a salvo
Para onde correr
Quando nada bate certo
E se fica a céu aberto
Sem saber o que fazer

Esta é
Uma noite pra comemorar
Qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
Um lugar para nós, onde demorar
Quando nada faz sentido
E se fica mais perdido
E se anseia pelo abraço de um amigo

Esta é só
Uma noite para me vingar
Do que a vida foi fazendo sem nos avisar
Foi se acumulando em fotografias
Em distâncias e saudade, numa dor que nunca acaba
E faz transbordar os dias

Esta é
Uma noite para me lembrar
Que há qualquer coisa infinita
Como o firmamento
Um sorriso um abraço que transcende o tempo
E ter medo como dantes de acordar a meio da noite
A precisar de um abraço

Esta é só
Uma noite para partilhar
Qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
Um lugar a salvo
Para onde correr
Quando nada bate certo
E se fica a céu aberto
Sem saber o que fazer

Esta é
Uma noite pra comemorar
Qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
Um lugar para nós, onde demorar
Quando nada faz sentido
E se fica mais perdido
E se anseia por abraço de um amigo

Mafalda Veiga

07 julho 2006

Amanhã

As aventuras num mundo incerto
Depois de muito ponderar, cheguei a uma conclusão muito interessante. Apesar da população mundial estar a atingir os biliões de habitantes, com milhares de religiões, línguas, filosofias e culturas diferentes, existem apenas, na verdade, dois tipos de pessoas. Aquelas que tem a certeza que o mundo está irremediavelmente perdido e aquelas que acreditam que o melhor ainda está para vir. (Por acaso, ainda há outro tipo de pessoas: aquelas que acreditam que a dança folclórica é a forma mais elevada de expressão criativa, mas eu não quero mesmo nada falar dessas pessoas!)
Não é preciso ser um génio para perceber que vivemos numa época muito perigosa e incerta; basta ligar a televisão ou pegar no jornal, ou apenas olhar pela janela. Não é nada bonito de se ver. Antigos amigos e aliados começam subitamente a atacar-se, enquanto potências económicas outrora inabaláveis se vão abaixo todos os dias.
Todos sabemos que os cidadãos honestos são frequentemente atacados, mesmo à luz do dia, mas, de uma forma ou de outra, os “maus da fita” nunca são apanhados. Parece que estamos rodeados de egomaníacos psicóticos que tentam secretamente acabar com a nossa boa disposição, enervar-nos ao máximo e, de uma forma geral, dar cabo das nossas vidas. Para já, por exemplo, há empregados de lojas que são demasiado atrevidos, donuts com tanto açúcar em pó que ficamos todos sujos logo após a primeira dentada, demasiadas cenas de sapateado nos melhores musicais e, é claro, os efeitos dramáticos do excesso de picante na comida (e, para piorar, os fechos das portas das casas de banho públicas quase não funcionam).
É claro que a dor de estômago não se compara à dor de um coração partido. Embora nos digam sempre que há muito peixe no mar, a verdade é que a maior parte das pessoas passa a vida num grande isolamento físico e emocional, sentindo-se totalmente só. E quando, finalmente, consegues encontrar alguém que parece perfeito para ti, descobres que ressona tão alto que os teus sonhos precisam de ser legendados.
Não dá para aguentar! E se deres ouvidos aos pessimistas profissionais, eles dirão que ainda nem sabes da missa a metade. Segundo eles, estamos a viver o período mais sombrio da nossa história, e o futuro não é nada risonho. Repetem vezes sem conta que o mal se esconde por toda a parte – nas ruas, nas árvores, nos media, no ar, na água, no governo e até no armário lá de casa – esperando impacientemente para saltar do seu esconderijo quando menos esperamos e ferrar os dentes nas partes mais sensíveis do nosso corpo.
E, finalmente, chamam a atenção para o facto de que não se pode ir a festa nenhuma sem encontrar um espertalhão(…)! “É o fim!”, gritam eles. “É o fim do mundo.” Mas há uma coisa que eu não percebo; se estes carrancudos acreditam mesmo nas coisas terríveis que pregam, porque é que se dão ao trabalho de continuar a viver? Está bem, admito que asfixiar-se a si próprio não é tão fácil quanto parece e, para minha grande surpresa, descobri que não é possível morrer de um overdose de fibras (embora isso seja uma cura definitiva para prisão de ventre).
Mas, graças à tecnologia moderna, nunca foi tão acessível nem tão conveniente acabar com a própria vida. É claro que, se a vida te parecer mesmo muito agradável e desprovida de sentido, é melhor ires consultar um especialista e veres bem o que se passa. Verás que, até nas circunstâncias mais terríveis, existe sempre beleza e esperança. Há sempre alguém disposto a ajudar quem precisa. Há sempre alguém com quem podes contar e há inúmeros movimentos especiais que te poderão alegrar num instante – e que não custam mais do que alguns minutos livres que tenhas.
Para além disso, há sempre o amor e o romance. Nada te vai fazer sentir melhor do que dançar tango com o amor da tua vida ou tomarem um romântico banho juntos. Embora possas estar a pensar nisso agora, poderás vir a partilhar com outra pessoa a sabedoria que adquires com as dificuldades e alegrias da tua vida; ao fazê-lo deixarás o mundo melhor do que encontraste. Embora eu ache que a vida é preferível à alternativa, não digo que seja sempre fácil e agradável viver. A verdade é que, por vezes, a vida é tão difícil que, só de pensares em tudo o que tens que fazer nas próximas 24 horas, só te apetece fugir.
Por isso, não é de surpreender que, quando pensam no futuro, muitas pessoas se sintam ansiosas, um pouco deprimidas e em geral, confusas e alarmadas. Mesmo nas alturas em que parece correr tudo bem, há sempre aqueles que não param de se queixar e de resmungar; mas é sempre fascinante ver como as pessoas reagem em alturas de verdadeira incerteza. Há aqueles que entram completamente em pânico e começam a pensar que o céu lhes vai cair em cima. Mas quando lhe pedem para explicar as razões do seu pânico, eles só sabem dizer que “foi um passarinho que me contou”. A verdade é nunca lhes deve ter ocorrido pensar onde é que o “passarinho” foi buscar essa informação. Depois há aquelas pessoas que se fazem de duronas e dizem em alto e bom som que não estão nada preocupadas, porque sabem perfeitamente o que fazer em qualquer situação, mas à noite, quando apagam a luz e ficam sozinhas, se calhar até são as que têm mais medo. Também há imensas pessoas que estão certas de que o futuro será extremamente árduo, por muito que se tente convencê-las do contrário. Estão sempre prontas a defender-se de mil e um perigos e, pouco a pouco, vão ficando tão duras, feias e cruéis quanto o futuro que imaginaram.
Finalmente, há aquelas pessoas que só querem cavar um abrigo emocional e esconder-se lá dentro. Pensam que, para estarem em segurança, têm de construir muros à sua volta. Mas o mais irónico é que ao impedirem os outros de entrar, também se estão a impedir a si próprias de sair. Podem evitar algumas das dificuldades da vida, mas também perdem todas as coisas maravilhosas que fazem com que valha a pena viver e, então, bem podem dizer adeus à felicidade. É muito mais sensato fazeres um sorriso corajoso e admitires que não és o centro do universo. Ou seja, haverá sempre coisas que não sabes e que não conseguirás controlar. Por isso, quando o dia não estiver a correr muito bem e as coisas se descontrolarem um pouco, como acaba sempre por acontecer, é muito bem mais produtivo e bem mais saudável descontraíres-te e desfrutares do absurdo do momento.
Não é nada de muito complicado; é puro bom senso; tens de desfrutar do facto de viveres num planeta onde existem pelo menos 600 sabores de gelados diferentes, em vez de te sentares sempre a lembrar do sabor terrível que tem aquele gelado de limão ácido que comeste no outro dia! Também é verdade que não vale a pena ficares obcecado com as intenções de todas as criaturas sinistras que existem neste mundo. Quanto aos imprestáveis que traem e magoam os outros em seu próprio benefício, acabam sempre por sofrer as consequências das suas más acções. No final têm, quase sempre, aquilo que merecem. Por outras palavras, vale sempre a pena ter alguém para te apoiar… mas talvez não valha a pena contratares guarda-costas. Outra razão o para não temeres o dia de amanhã é que, embora não seja verdade que nós somos aquilo que comemos, é verdade que somos aquilo que amamos. Isto significa que a tua identidade se reflecte em todas as coisas que gostas – nos teus amigos mais próximos, por exemplo.
Neste sentido, é justo dizer que o mundo à tua volta é um espelho. Assim sendo, tens muito mais controlo sobre o futuro do que pensas, pois podes dar ao teu mundo a forma que quiseres – basta seres aquilo que gostas de ser. Talvez isso faça sentido para ti, mas pode ser que não faça. Podes perguntar-me: “Aha! Então como se explicam todas as coisas terríveis que existem no mundo e que eu não quero que existam?” É uma questão relevante, à qual respondo de uma forma um pouco irritante, com outra pergunta:” Mas é o que tu realmente queres?” Porque, na verdade, é aquilo que nós realmente queremos e amamos que influencia o mundo à nossa volta, quer o admitamos ou não. Por exemplo, é normal dizermos que só queremos ser felizes, quando, na verdade, só queremos dinheiro – muito dinheiro. Dizemos que queremos atingir a iluminação espiritual e ter uma compreensão mais vasta, quando, na verdade, só queremos respostas fáceis. Dizemos que queremos amor, afecto e companhia, quando o que queremos mesmo é sexo abrasador e desenfreado. Dizemos que só queremos que nos aceitem como somos, quando, na verdade, gostaríamos de ter mais glamour e menos peso.
Como disse certa vez uma pessoa muito sábia: “Não se pode enganar a Mãe Natureza.”Há certas verdades imutáveis neste mundo às quais não se pode escapar, por muita lábia que se tenha. A gravidade puxa-nos para baixo, o chocolate engorda e pôr o dedo no ferro de engomar, para ver se já está quente, é sempre má ideia. Também é preciso ter muito cuidado com aquilo que desejas, pois, se mentires a ti próprio, serás sempre apanhado. Quando és desonesto em relação àquilo que queres na vida, acabas por magoar as pessoas que te são próximas – e, sobretudo, magoas-te a ti mesmo.
Pensa bem nas coisas que mais gostas. O que é que faz com que fiques entusiasmado por estares vivo? O que é que queres mesmo fazer com o tempo limitado de que dispões? Qual será a herança pessoal que vais deixar ao mundo? Mas não passes o tempo todo a sonhar com o futuro, porque a chave para o amanhã é o dia de hoje. Por muito inteligente que sejam as tuas respostas para as perguntas mais importantes da tua vida, no final de contas o mais importante é ultrapassares a barreira dos medos e das dúvidas que te paralisam e agires.
Torce por ti próprio. Faz uma coisa que nunca pensaste fazer – vive no momento presente. Contudo, não te esqueças que aquilo que para os outros é uma grande aventura pode ser, para ti, o teu pior pesadelo. Por isso segue apenas o teu próprio caminho, para onde quer que ele te leve, um passo de cada vez. A viagem da tua vida não é uma corrida nem um competição, nem é uma auto-estrada aborrecida e sem saídas, na qual estás condenado a vaguear para sempre. Recebe o imprevisível de braços abertos e explora as coisas que te inspiram. Aproveita para ver a paisagem. A verdade é que um dia, em vez de acordares e teres o pequeno-almoço à espera, vais estar a atravessar um longo corredor escuro, em direcção à luz forte e bela, e a tua viagem terá chegado ao fim.
Nesse momento, quando a tua vida inteira te passar diante dos olhos, não me parece que vás pensar no dinheiro que fizeste, nos prémios que ganhaste, nos carros que tiveste, na cotação das tuas acções na bolsa ou nas vezes em que a tua fotografia saiu no jornal. Na minha opinião, as coisas mais importantes da tua vida serão os beijos que deste, as noites que passaste a olhar para as estrelas, as vezes que te rebolaste na neve, as primeiras gotas de uma chuva de Verão que apanhaste com a língua e a primeira vez que alguém te murmurou ao ouvido: “Amo-te”. Não desperdices o presente a preocupares-te com o futuro. O futuro vai chegar em breve, garanto-te. Entretanto, sugiro que estejas sempre de cabeça erguida, que comeces a caminhar e que sigas o teu coração até aos confins do mundo. Ao fazeres esta viagem, lembra-te sempre de que cada dia é como um valioso presente. Se puderes, desfruta dele tal como é e aproveita-o ao máximo; então, acredites ou não, terás ainda outro presente extraordinário à tua espera: o amanhã.

Autor Desconhecido