All for love

30 maio 2007

Tenho saudades de outros tempos...

Recordo o antigamente ainda próximo da memória. Lembro-me dos tempos passados na varanda, no campo de flores, no banco do jardim…em conversas cheias de sentimento sincero. Recordo a cumplicidade e união, o aprofundamento, o toque, o sorriso… como os melhores tempos da minha vida. Vejo o prazer de tudo isso e sinto falta.
Hoje as modernices da sociedade vão ganhando terreno e apesar de compreender e de também fazer uso de todas as vantagens que elas trazem para a nossa vida, receio os exageros.
Tento proteger-me desta espécie de contaminação social, mais presente na juventude, onde a comunicação é quase toda feita de forma electrónica. Podemos estar longe, mas ficamos tão perto. E será que estamos mesmo perto? As conversas são tão vazias, tão desprovidas de sentimento, tão básicas, com expressões tão célebres como o “lol”, que a mim diz tão pouco ou quase nada. Faço resistência a esta nova forma de comunicar, mas onde ficará o meu lugar?
As pessoas parecem não esforçar-se muito para ter contacto real e refugiam-se atrás do ecrã, como se o mundo virtual nos fizesse a todos mais felizes. Somos atraídos pelo facilitismo, julgamo-nos mais protegidos e libertamo-nos dos constrangimentos das outras conversas. Escapamo-nos da timidez e recriamos personalidades por detrás do computador.
Os especialistas mais pessimistas consideram como efeitos perversos desta tecnologia a sua capacidade de nos tornarmos cada vez menos humanos, acentuando a diminuição das reais relações sociais e da comunicação familiar. Em suma, o cavar mais fundo um fosso de solidão, de desencontro dos outros e de nós próprios. No limite, o tornarmo-nos seres comandados pela realidade virtual.
E nós? Não estaremos a prescindir da convivência social e das relações afectivas? Não estaremos a navegar horas intermináveis, deixando pouco espaço para outras coisas?
O desejável seria que cada pessoa tivesse uma vida social no mundo real, pois de outra forma estaremos a acentuar os medos e as dificuldades que nos impedem de crescer e enfrentar o outro.
…ficam as saudades de um regresso às “conversas de amor” e a tentativa de terminar as conversas de circunstância, onde não há espaço para a entrega de nós mesmos, no coração.

1 Comments:

At 9/01/2007 11:54 a.m., Blogger Laraifos said...

Gostei mt deste sentido, já há muito tempo que não escrevo nem leio um bom livro coisas que adoro fazer, por falta de tempo pq o trabalho não permite ou motiva. Basta conhecer uma pessoa e a motivação volta foi bom chegar até este cantinho e agradecer o dia. Em relação ao texto acho que as pessoas se estam efectivamente a afastar da verdade social das conversas de outros tempos, mas não acho que o principal responsável seja o mundo virtual de navegação, mas sim o mundo virtual económico :)A internet é um bonús das sociedades económicas como foi outrora a televisão. Tornou-se numa necessidade de 1ª e não passam sem elas. E vice-versa pois é um óbvio instrumento de persuasão. Bem Hajas Lara - Coimbra

 

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