Um pouco mais sobre comunicação...
“Para compreender o carácter problemático da socialização basta-nos considerar os desafios que a comunicação com os outros nos apresenta:
- Por um lado, comunicar é, de algum modo, «pôr em comum». Mas partilhar significa frequentemente «dar algo» e, dando, parece que nos arriscamos a ficar mais pobres. Não será bem assim, mas algumas experiências alertam-nos para este tipo de perigos nos desafios da comunicação. Basta-nos pensar, por exemplo, na nossa disponibilidade para abrir a nossa intimidade que sempre acarreta consigo o risco de podermos encontrar alguém que tente «abusar» dessa confiança. O desafio da comunicação passa, pois, pelo desafio de nos darmos aos outros, sem, por assim dizer, nos empobrecermos.
- Por outro lado, a nossa integração na vida social passa também pelo desafio da comunicação num segundo sentido: como podemos «darmo-nos com os outros» sem perdermos a nossa identidade pessoal? Isto não será habitualmente problemático para qualquer pessoa normal, pois saberá, por exemplo, que não vai perder a sua personalidade por ouvir, respeitosa e amavelmente, uma opinião diferente da sua. Mas não é assim tão fácil para todos. Recordemos aqueles pobres homens que andam pelo mundo à deriva, sem carácter, como cataventos, tentando agradar a uns e a outros, sem tom nem som. E, ao contrário, recordemos também aquelas pessoas que se isolam lamentavelmente apenas por não saberem sobreviver no convívio de uma sociedade plural.
- Finalmente, existe ainda outro modo de compreender o carácter problemático do desafio da comunicação. Aquilo que poderíamos denominar como o desafio da expressividade. Podemos encarar correctamente a nossa relação com o mundo e, todavia, sermos mal sucedidos por uma mera questão «linguística». Por exemplo, podemos tomar um dia uma atitude com a melhor das intenções e sermos infelizmente mal-entendidos. Quem é que não sentiu alguma vez essa triste experiência?”
In Montiel, António Luís(2004). Aprendendo a viver juntos. Lisboa: Livros Horizonte.


1 Comments:
deixa me contar te uma história;era uma vez(isto é uma história,tem sempre que começar com «era uma vez»,certo?)uma cidade colorida e cheia de vida,onde todo o pessoal distribuia carinhos,eram todos felizes e olhavam a vida de uma perspectiva um tanto ou quanto édilica,mas a verdade é que no seu intímo eram realmente felizes,destribuiam carinhos e atenções como Deus o "maioral"aqui do sitio(e ñ tou falando do sítio do pica-pau amarelo)dá nuvens em forma de algodão.um dia(tinha que voltar à realidade capitalista)uma criança resolveu começara guardar os carinhos que lhe davam.isto a principio deu-lhe grande prazer sentia-se mais feliz,logo ñ notou que algo anómalo se passava na sua cidade colorida:estava a ficar cinzenta,as pessoas já ñ confiavam tanto umas nas outras e devido à falta de carinhos começaram também eles a guardar.então a criança acordou desse sonho que era monopolizar os carinhos só para ela e começou a destribui-lo,pois já ñ sentia tanta felicidade na sua colecção de carinhos eles eram como bolachas,são bons ao sair do forno mas depois ficam duros e balofos, mas já era tarde.as pessoas já tinham esquecido como eram felizes quando ñ tinham medo de dar,e a crinça ficou triste,quando crescer disse então vou tentar mudar o mundo.
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