Rasto de uma Guerra
O prazer da morte, a dor das lágrimas, a visão dos feridos, os restos de lares, as famílias desfeitas, a doença das mentes, o desejo de vingança, o encontrar dos culpados, a luta pela água, o desespero pela comida, a procura de recursos, a fuga às epidemias, as vítimas inocentes, os funerais apressados, as notícias repetidas, o número de desaparecidos, a destruição de aldeias, o número de refugiados, o sangue derramado, a insegurança no dia a dia, a revolta por dentro, a espera pela ajuda, o recomeço de uma nova vida com um ponto de partida nada animador, um vazio por dentro e por fora… perante o olhar impotente de um mundo que assiste a um cenário tão desolador como tão desnecessário. Daqui podemos fazer um clic na TV, no noticiário e tentar esquecer a quantidade de irmãos que sofrem, mas à sempre um resto de memória e um sentimento profundo de tristeza. Ah e se pudéssemos… e não podemos?
Conheço a paz, os sorrisos, as conquistas, as amizades, os abraços, o toque dos teus lábios, os teus sonhos, os teus projectos, o teu trabalho, a tua casa, a tua família, o teu lar, os teus cozinhados, os teus bens, o brilho das festas, a cura nos hospitais, as tuas economias… tudo bem mais perto de mim! Conheço-me!...
Mas não posso negar a outra realidade, onde uma escuridão imensa os persegue e tão poucos de nós podemos levar uma luz.


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