All for love

15 maio 2005

A vida....


A tartaruga, dirigindo-se aos homens
Devagar, eu? Nem nisso penso.
Apenas vou, seguindo o ritmo
da natureza a que pertenço.
Eu caminho e vivo
como cresce a erva (devagar?)
como se enchem de flores as árvores
e se formam os rebanhos de nuvens no ar.
Vocês é que vão desenfreados
e só vêem manchas, bocados do que existe,
como se estivesse alguém a empurrar-vos
...É muito triste!
De corrida em corrida, como a lebre,
chegareis antes de mim ao fim
da grande corrida que é a vida.
Só que não ides ganhar, mas perder,
e, o que é pior,
sem ter visto nada,
deixando quase tudo por fazer.
Devagar, cada vez mais devagar
eu também lá acabarei por chegar.
Terei então ganho a corrida
e, principalmente,
a vida.

Álvaro Magalhães, 1986, 1991, in «O reino perdido», Edições ASA, Porto