All for love

21 setembro 2005

Eu já não gosto...


Eu já não gosto de chegar a horas, porque tenho sempre que esperar pelos atrasados.

Eu já não gosto de cumprir os limites de velocidade, porque tenho sempre que levar com ultrapassagens de alto risco mais mal disposição.

Eu já não gosto de ter compromissos, porque já ninguém se compromete com nada.

Eu já não gosto de me lembrar dos aniversários, porque andam todos tão distanciados...

Eu já não gosto de fazer um bom trabalho, porque poucos se esforçam por trabalhar bem.

Eu já não gosto de ter dinheiro, porque é só mais um bem material e não traz felicidade a ninguém.

Eu já não gosto comer saudável, porque sou acusada de fazer dietas e já ninguém se preocupa em comer BEM.

Eu já não gosto de não beber álcool, porque parece que a água cria sapos e quem bebe álcool é muito à frente, ou será... quem não bebe muito atrás....

Eu já não gosto de ter “juízo”, porque já ninguém o têm.

Eu já não gosto de fazer reciclagem, porque parece que sou das poucas que acho que vale a pena.

Eu já não gosto de poupar água, porque os desperdícios rodeiam-me.

Eu já não gosto de fazer desporto, porque causo inveja aos preguiçosos.

Eu já não gosto de abraçar ninguém, porque parece que no menseger é que se está bem.

Eu já não gosto de me vestir bem, porque não quero que reparem em mim.

Eu já não gosto de conversar, porque falo sempre demasiado.

Eu já não gosto de namorar, porque é tudo muito complicado.

Eu já não gosto de amar os outros, porque eles só se amam a si.

Eu já não gosto de crianças, porque dizem que elas dão muito trabalho.

Crise de Identidade?

Dificuldades de identificação?

NÃO!

Eu vou continuar a gostar daquilo que gosto e fazer aquilo que me parece correcto, porque só assim me sinto bem. As atitudes de quase todos, não quero que me pertençam, e os defeitos que também tenho, já chegam para me dar dores de cabeça.
Só que às vezes parece que a maioria é que vai tomar as rédeas da situação e que apesar de não concordar com as ideias da maioria, elas vão acabar por entrar na minha cabeça e derrubar a minha forma de ser.

Mas há sempre espaço para excepções.