Amanhã
As aventuras num mundo incerto
Depois de muito ponderar, cheguei a uma conclusão muito interessante. Apesar da população mundial estar a atingir os biliões de habitantes, com milhares de religiões, línguas, filosofias e culturas diferentes, existem apenas, na verdade, dois tipos de pessoas. Aquelas que tem a certeza que o mundo está irremediavelmente perdido e aquelas que acreditam que o melhor ainda está para vir. (Por acaso, ainda há outro tipo de pessoas: aquelas que acreditam que a dança folclórica é a forma mais elevada de expressão criativa, mas eu não quero mesmo nada falar dessas pessoas!)
Não é preciso ser um génio para perceber que vivemos numa época muito perigosa e incerta; basta ligar a televisão ou pegar no jornal, ou apenas olhar pela janela. Não é nada bonito de se ver. Antigos amigos e aliados começam subitamente a atacar-se, enquanto potências económicas outrora inabaláveis se vão abaixo todos os dias.
Todos sabemos que os cidadãos honestos são frequentemente atacados, mesmo à luz do dia, mas, de uma forma ou de outra, os “maus da fita” nunca são apanhados. Parece que estamos rodeados de egomaníacos psicóticos que tentam secretamente acabar com a nossa boa disposição, enervar-nos ao máximo e, de uma forma geral, dar cabo das nossas vidas. Para já, por exemplo, há empregados de lojas que são demasiado atrevidos, donuts com tanto açúcar em pó que ficamos todos sujos logo após a primeira dentada, demasiadas cenas de sapateado nos melhores musicais e, é claro, os efeitos dramáticos do excesso de picante na comida (e, para piorar, os fechos das portas das casas de banho públicas quase não funcionam).
É claro que a dor de estômago não se compara à dor de um coração partido. Embora nos digam sempre que há muito peixe no mar, a verdade é que a maior parte das pessoas passa a vida num grande isolamento físico e emocional, sentindo-se totalmente só. E quando, finalmente, consegues encontrar alguém que parece perfeito para ti, descobres que ressona tão alto que os teus sonhos precisam de ser legendados.
Não dá para aguentar! E se deres ouvidos aos pessimistas profissionais, eles dirão que ainda nem sabes da missa a metade. Segundo eles, estamos a viver o período mais sombrio da nossa história, e o futuro não é nada risonho. Repetem vezes sem conta que o mal se esconde por toda a parte – nas ruas, nas árvores, nos media, no ar, na água, no governo e até no armário lá de casa – esperando impacientemente para saltar do seu esconderijo quando menos esperamos e ferrar os dentes nas partes mais sensíveis do nosso corpo.
E, finalmente, chamam a atenção para o facto de que não se pode ir a festa nenhuma sem encontrar um espertalhão(…)! “É o fim!”, gritam eles. “É o fim do mundo.” Mas há uma coisa que eu não percebo; se estes carrancudos acreditam mesmo nas coisas terríveis que pregam, porque é que se dão ao trabalho de continuar a viver? Está bem, admito que asfixiar-se a si próprio não é tão fácil quanto parece e, para minha grande surpresa, descobri que não é possível morrer de um overdose de fibras (embora isso seja uma cura definitiva para prisão de ventre).
Mas, graças à tecnologia moderna, nunca foi tão acessível nem tão conveniente acabar com a própria vida. É claro que, se a vida te parecer mesmo muito agradável e desprovida de sentido, é melhor ires consultar um especialista e veres bem o que se passa. Verás que, até nas circunstâncias mais terríveis, existe sempre beleza e esperança. Há sempre alguém disposto a ajudar quem precisa. Há sempre alguém com quem podes contar e há inúmeros movimentos especiais que te poderão alegrar num instante – e que não custam mais do que alguns minutos livres que tenhas.
Para além disso, há sempre o amor e o romance. Nada te vai fazer sentir melhor do que dançar tango com o amor da tua vida ou tomarem um romântico banho juntos. Embora possas estar a pensar nisso agora, poderás vir a partilhar com outra pessoa a sabedoria que adquires com as dificuldades e alegrias da tua vida; ao fazê-lo deixarás o mundo melhor do que encontraste. Embora eu ache que a vida é preferível à alternativa, não digo que seja sempre fácil e agradável viver. A verdade é que, por vezes, a vida é tão difícil que, só de pensares em tudo o que tens que fazer nas próximas 24 horas, só te apetece fugir.
Por isso, não é de surpreender que, quando pensam no futuro, muitas pessoas se sintam ansiosas, um pouco deprimidas e em geral, confusas e alarmadas. Mesmo nas alturas em que parece correr tudo bem, há sempre aqueles que não param de se queixar e de resmungar; mas é sempre fascinante ver como as pessoas reagem em alturas de verdadeira incerteza. Há aqueles que entram completamente em pânico e começam a pensar que o céu lhes vai cair em cima. Mas quando lhe pedem para explicar as razões do seu pânico, eles só sabem dizer que “foi um passarinho que me contou”. A verdade é nunca lhes deve ter ocorrido pensar onde é que o “passarinho” foi buscar essa informação. Depois há aquelas pessoas que se fazem de duronas e dizem em alto e bom som que não estão nada preocupadas, porque sabem perfeitamente o que fazer em qualquer situação, mas à noite, quando apagam a luz e ficam sozinhas, se calhar até são as que têm mais medo. Também há imensas pessoas que estão certas de que o futuro será extremamente árduo, por muito que se tente convencê-las do contrário. Estão sempre prontas a defender-se de mil e um perigos e, pouco a pouco, vão ficando tão duras, feias e cruéis quanto o futuro que imaginaram.
Finalmente, há aquelas pessoas que só querem cavar um abrigo emocional e esconder-se lá dentro. Pensam que, para estarem em segurança, têm de construir muros à sua volta. Mas o mais irónico é que ao impedirem os outros de entrar, também se estão a impedir a si próprias de sair. Podem evitar algumas das dificuldades da vida, mas também perdem todas as coisas maravilhosas que fazem com que valha a pena viver e, então, bem podem dizer adeus à felicidade. É muito mais sensato fazeres um sorriso corajoso e admitires que não és o centro do universo. Ou seja, haverá sempre coisas que não sabes e que não conseguirás controlar. Por isso, quando o dia não estiver a correr muito bem e as coisas se descontrolarem um pouco, como acaba sempre por acontecer, é muito bem mais produtivo e bem mais saudável descontraíres-te e desfrutares do absurdo do momento.
Não é nada de muito complicado; é puro bom senso; tens de desfrutar do facto de viveres num planeta onde existem pelo menos 600 sabores de gelados diferentes, em vez de te sentares sempre a lembrar do sabor terrível que tem aquele gelado de limão ácido que comeste no outro dia! Também é verdade que não vale a pena ficares obcecado com as intenções de todas as criaturas sinistras que existem neste mundo. Quanto aos imprestáveis que traem e magoam os outros em seu próprio benefício, acabam sempre por sofrer as consequências das suas más acções. No final têm, quase sempre, aquilo que merecem. Por outras palavras, vale sempre a pena ter alguém para te apoiar… mas talvez não valha a pena contratares guarda-costas. Outra razão o para não temeres o dia de amanhã é que, embora não seja verdade que nós somos aquilo que comemos, é verdade que somos aquilo que amamos. Isto significa que a tua identidade se reflecte em todas as coisas que gostas – nos teus amigos mais próximos, por exemplo.
Neste sentido, é justo dizer que o mundo à tua volta é um espelho. Assim sendo, tens muito mais controlo sobre o futuro do que pensas, pois podes dar ao teu mundo a forma que quiseres – basta seres aquilo que gostas de ser. Talvez isso faça sentido para ti, mas pode ser que não faça. Podes perguntar-me: “Aha! Então como se explicam todas as coisas terríveis que existem no mundo e que eu não quero que existam?” É uma questão relevante, à qual respondo de uma forma um pouco irritante, com outra pergunta:” Mas é o que tu realmente queres?” Porque, na verdade, é aquilo que nós realmente queremos e amamos que influencia o mundo à nossa volta, quer o admitamos ou não. Por exemplo, é normal dizermos que só queremos ser felizes, quando, na verdade, só queremos dinheiro – muito dinheiro. Dizemos que queremos atingir a iluminação espiritual e ter uma compreensão mais vasta, quando, na verdade, só queremos respostas fáceis. Dizemos que queremos amor, afecto e companhia, quando o que queremos mesmo é sexo abrasador e desenfreado. Dizemos que só queremos que nos aceitem como somos, quando, na verdade, gostaríamos de ter mais glamour e menos peso.
Como disse certa vez uma pessoa muito sábia: “Não se pode enganar a Mãe Natureza.”Há certas verdades imutáveis neste mundo às quais não se pode escapar, por muita lábia que se tenha. A gravidade puxa-nos para baixo, o chocolate engorda e pôr o dedo no ferro de engomar, para ver se já está quente, é sempre má ideia. Também é preciso ter muito cuidado com aquilo que desejas, pois, se mentires a ti próprio, serás sempre apanhado. Quando és desonesto em relação àquilo que queres na vida, acabas por magoar as pessoas que te são próximas – e, sobretudo, magoas-te a ti mesmo.
Pensa bem nas coisas que mais gostas. O que é que faz com que fiques entusiasmado por estares vivo? O que é que queres mesmo fazer com o tempo limitado de que dispões? Qual será a herança pessoal que vais deixar ao mundo? Mas não passes o tempo todo a sonhar com o futuro, porque a chave para o amanhã é o dia de hoje. Por muito inteligente que sejam as tuas respostas para as perguntas mais importantes da tua vida, no final de contas o mais importante é ultrapassares a barreira dos medos e das dúvidas que te paralisam e agires.
Torce por ti próprio. Faz uma coisa que nunca pensaste fazer – vive no momento presente. Contudo, não te esqueças que aquilo que para os outros é uma grande aventura pode ser, para ti, o teu pior pesadelo. Por isso segue apenas o teu próprio caminho, para onde quer que ele te leve, um passo de cada vez. A viagem da tua vida não é uma corrida nem um competição, nem é uma auto-estrada aborrecida e sem saídas, na qual estás condenado a vaguear para sempre. Recebe o imprevisível de braços abertos e explora as coisas que te inspiram. Aproveita para ver a paisagem. A verdade é que um dia, em vez de acordares e teres o pequeno-almoço à espera, vais estar a atravessar um longo corredor escuro, em direcção à luz forte e bela, e a tua viagem terá chegado ao fim.
Nesse momento, quando a tua vida inteira te passar diante dos olhos, não me parece que vás pensar no dinheiro que fizeste, nos prémios que ganhaste, nos carros que tiveste, na cotação das tuas acções na bolsa ou nas vezes em que a tua fotografia saiu no jornal. Na minha opinião, as coisas mais importantes da tua vida serão os beijos que deste, as noites que passaste a olhar para as estrelas, as vezes que te rebolaste na neve, as primeiras gotas de uma chuva de Verão que apanhaste com a língua e a primeira vez que alguém te murmurou ao ouvido: “Amo-te”. Não desperdices o presente a preocupares-te com o futuro. O futuro vai chegar em breve, garanto-te. Entretanto, sugiro que estejas sempre de cabeça erguida, que comeces a caminhar e que sigas o teu coração até aos confins do mundo. Ao fazeres esta viagem, lembra-te sempre de que cada dia é como um valioso presente. Se puderes, desfruta dele tal como é e aproveita-o ao máximo; então, acredites ou não, terás ainda outro presente extraordinário à tua espera: o amanhã.
Depois de muito ponderar, cheguei a uma conclusão muito interessante. Apesar da população mundial estar a atingir os biliões de habitantes, com milhares de religiões, línguas, filosofias e culturas diferentes, existem apenas, na verdade, dois tipos de pessoas. Aquelas que tem a certeza que o mundo está irremediavelmente perdido e aquelas que acreditam que o melhor ainda está para vir. (Por acaso, ainda há outro tipo de pessoas: aquelas que acreditam que a dança folclórica é a forma mais elevada de expressão criativa, mas eu não quero mesmo nada falar dessas pessoas!)
Não é preciso ser um génio para perceber que vivemos numa época muito perigosa e incerta; basta ligar a televisão ou pegar no jornal, ou apenas olhar pela janela. Não é nada bonito de se ver. Antigos amigos e aliados começam subitamente a atacar-se, enquanto potências económicas outrora inabaláveis se vão abaixo todos os dias.
Todos sabemos que os cidadãos honestos são frequentemente atacados, mesmo à luz do dia, mas, de uma forma ou de outra, os “maus da fita” nunca são apanhados. Parece que estamos rodeados de egomaníacos psicóticos que tentam secretamente acabar com a nossa boa disposição, enervar-nos ao máximo e, de uma forma geral, dar cabo das nossas vidas. Para já, por exemplo, há empregados de lojas que são demasiado atrevidos, donuts com tanto açúcar em pó que ficamos todos sujos logo após a primeira dentada, demasiadas cenas de sapateado nos melhores musicais e, é claro, os efeitos dramáticos do excesso de picante na comida (e, para piorar, os fechos das portas das casas de banho públicas quase não funcionam).
É claro que a dor de estômago não se compara à dor de um coração partido. Embora nos digam sempre que há muito peixe no mar, a verdade é que a maior parte das pessoas passa a vida num grande isolamento físico e emocional, sentindo-se totalmente só. E quando, finalmente, consegues encontrar alguém que parece perfeito para ti, descobres que ressona tão alto que os teus sonhos precisam de ser legendados.
Não dá para aguentar! E se deres ouvidos aos pessimistas profissionais, eles dirão que ainda nem sabes da missa a metade. Segundo eles, estamos a viver o período mais sombrio da nossa história, e o futuro não é nada risonho. Repetem vezes sem conta que o mal se esconde por toda a parte – nas ruas, nas árvores, nos media, no ar, na água, no governo e até no armário lá de casa – esperando impacientemente para saltar do seu esconderijo quando menos esperamos e ferrar os dentes nas partes mais sensíveis do nosso corpo.
E, finalmente, chamam a atenção para o facto de que não se pode ir a festa nenhuma sem encontrar um espertalhão(…)! “É o fim!”, gritam eles. “É o fim do mundo.” Mas há uma coisa que eu não percebo; se estes carrancudos acreditam mesmo nas coisas terríveis que pregam, porque é que se dão ao trabalho de continuar a viver? Está bem, admito que asfixiar-se a si próprio não é tão fácil quanto parece e, para minha grande surpresa, descobri que não é possível morrer de um overdose de fibras (embora isso seja uma cura definitiva para prisão de ventre).
Mas, graças à tecnologia moderna, nunca foi tão acessível nem tão conveniente acabar com a própria vida. É claro que, se a vida te parecer mesmo muito agradável e desprovida de sentido, é melhor ires consultar um especialista e veres bem o que se passa. Verás que, até nas circunstâncias mais terríveis, existe sempre beleza e esperança. Há sempre alguém disposto a ajudar quem precisa. Há sempre alguém com quem podes contar e há inúmeros movimentos especiais que te poderão alegrar num instante – e que não custam mais do que alguns minutos livres que tenhas.
Para além disso, há sempre o amor e o romance. Nada te vai fazer sentir melhor do que dançar tango com o amor da tua vida ou tomarem um romântico banho juntos. Embora possas estar a pensar nisso agora, poderás vir a partilhar com outra pessoa a sabedoria que adquires com as dificuldades e alegrias da tua vida; ao fazê-lo deixarás o mundo melhor do que encontraste. Embora eu ache que a vida é preferível à alternativa, não digo que seja sempre fácil e agradável viver. A verdade é que, por vezes, a vida é tão difícil que, só de pensares em tudo o que tens que fazer nas próximas 24 horas, só te apetece fugir.
Por isso, não é de surpreender que, quando pensam no futuro, muitas pessoas se sintam ansiosas, um pouco deprimidas e em geral, confusas e alarmadas. Mesmo nas alturas em que parece correr tudo bem, há sempre aqueles que não param de se queixar e de resmungar; mas é sempre fascinante ver como as pessoas reagem em alturas de verdadeira incerteza. Há aqueles que entram completamente em pânico e começam a pensar que o céu lhes vai cair em cima. Mas quando lhe pedem para explicar as razões do seu pânico, eles só sabem dizer que “foi um passarinho que me contou”. A verdade é nunca lhes deve ter ocorrido pensar onde é que o “passarinho” foi buscar essa informação. Depois há aquelas pessoas que se fazem de duronas e dizem em alto e bom som que não estão nada preocupadas, porque sabem perfeitamente o que fazer em qualquer situação, mas à noite, quando apagam a luz e ficam sozinhas, se calhar até são as que têm mais medo. Também há imensas pessoas que estão certas de que o futuro será extremamente árduo, por muito que se tente convencê-las do contrário. Estão sempre prontas a defender-se de mil e um perigos e, pouco a pouco, vão ficando tão duras, feias e cruéis quanto o futuro que imaginaram.
Finalmente, há aquelas pessoas que só querem cavar um abrigo emocional e esconder-se lá dentro. Pensam que, para estarem em segurança, têm de construir muros à sua volta. Mas o mais irónico é que ao impedirem os outros de entrar, também se estão a impedir a si próprias de sair. Podem evitar algumas das dificuldades da vida, mas também perdem todas as coisas maravilhosas que fazem com que valha a pena viver e, então, bem podem dizer adeus à felicidade. É muito mais sensato fazeres um sorriso corajoso e admitires que não és o centro do universo. Ou seja, haverá sempre coisas que não sabes e que não conseguirás controlar. Por isso, quando o dia não estiver a correr muito bem e as coisas se descontrolarem um pouco, como acaba sempre por acontecer, é muito bem mais produtivo e bem mais saudável descontraíres-te e desfrutares do absurdo do momento.
Não é nada de muito complicado; é puro bom senso; tens de desfrutar do facto de viveres num planeta onde existem pelo menos 600 sabores de gelados diferentes, em vez de te sentares sempre a lembrar do sabor terrível que tem aquele gelado de limão ácido que comeste no outro dia! Também é verdade que não vale a pena ficares obcecado com as intenções de todas as criaturas sinistras que existem neste mundo. Quanto aos imprestáveis que traem e magoam os outros em seu próprio benefício, acabam sempre por sofrer as consequências das suas más acções. No final têm, quase sempre, aquilo que merecem. Por outras palavras, vale sempre a pena ter alguém para te apoiar… mas talvez não valha a pena contratares guarda-costas. Outra razão o para não temeres o dia de amanhã é que, embora não seja verdade que nós somos aquilo que comemos, é verdade que somos aquilo que amamos. Isto significa que a tua identidade se reflecte em todas as coisas que gostas – nos teus amigos mais próximos, por exemplo.
Neste sentido, é justo dizer que o mundo à tua volta é um espelho. Assim sendo, tens muito mais controlo sobre o futuro do que pensas, pois podes dar ao teu mundo a forma que quiseres – basta seres aquilo que gostas de ser. Talvez isso faça sentido para ti, mas pode ser que não faça. Podes perguntar-me: “Aha! Então como se explicam todas as coisas terríveis que existem no mundo e que eu não quero que existam?” É uma questão relevante, à qual respondo de uma forma um pouco irritante, com outra pergunta:” Mas é o que tu realmente queres?” Porque, na verdade, é aquilo que nós realmente queremos e amamos que influencia o mundo à nossa volta, quer o admitamos ou não. Por exemplo, é normal dizermos que só queremos ser felizes, quando, na verdade, só queremos dinheiro – muito dinheiro. Dizemos que queremos atingir a iluminação espiritual e ter uma compreensão mais vasta, quando, na verdade, só queremos respostas fáceis. Dizemos que queremos amor, afecto e companhia, quando o que queremos mesmo é sexo abrasador e desenfreado. Dizemos que só queremos que nos aceitem como somos, quando, na verdade, gostaríamos de ter mais glamour e menos peso.
Como disse certa vez uma pessoa muito sábia: “Não se pode enganar a Mãe Natureza.”Há certas verdades imutáveis neste mundo às quais não se pode escapar, por muita lábia que se tenha. A gravidade puxa-nos para baixo, o chocolate engorda e pôr o dedo no ferro de engomar, para ver se já está quente, é sempre má ideia. Também é preciso ter muito cuidado com aquilo que desejas, pois, se mentires a ti próprio, serás sempre apanhado. Quando és desonesto em relação àquilo que queres na vida, acabas por magoar as pessoas que te são próximas – e, sobretudo, magoas-te a ti mesmo.
Pensa bem nas coisas que mais gostas. O que é que faz com que fiques entusiasmado por estares vivo? O que é que queres mesmo fazer com o tempo limitado de que dispões? Qual será a herança pessoal que vais deixar ao mundo? Mas não passes o tempo todo a sonhar com o futuro, porque a chave para o amanhã é o dia de hoje. Por muito inteligente que sejam as tuas respostas para as perguntas mais importantes da tua vida, no final de contas o mais importante é ultrapassares a barreira dos medos e das dúvidas que te paralisam e agires.
Torce por ti próprio. Faz uma coisa que nunca pensaste fazer – vive no momento presente. Contudo, não te esqueças que aquilo que para os outros é uma grande aventura pode ser, para ti, o teu pior pesadelo. Por isso segue apenas o teu próprio caminho, para onde quer que ele te leve, um passo de cada vez. A viagem da tua vida não é uma corrida nem um competição, nem é uma auto-estrada aborrecida e sem saídas, na qual estás condenado a vaguear para sempre. Recebe o imprevisível de braços abertos e explora as coisas que te inspiram. Aproveita para ver a paisagem. A verdade é que um dia, em vez de acordares e teres o pequeno-almoço à espera, vais estar a atravessar um longo corredor escuro, em direcção à luz forte e bela, e a tua viagem terá chegado ao fim.
Nesse momento, quando a tua vida inteira te passar diante dos olhos, não me parece que vás pensar no dinheiro que fizeste, nos prémios que ganhaste, nos carros que tiveste, na cotação das tuas acções na bolsa ou nas vezes em que a tua fotografia saiu no jornal. Na minha opinião, as coisas mais importantes da tua vida serão os beijos que deste, as noites que passaste a olhar para as estrelas, as vezes que te rebolaste na neve, as primeiras gotas de uma chuva de Verão que apanhaste com a língua e a primeira vez que alguém te murmurou ao ouvido: “Amo-te”. Não desperdices o presente a preocupares-te com o futuro. O futuro vai chegar em breve, garanto-te. Entretanto, sugiro que estejas sempre de cabeça erguida, que comeces a caminhar e que sigas o teu coração até aos confins do mundo. Ao fazeres esta viagem, lembra-te sempre de que cada dia é como um valioso presente. Se puderes, desfruta dele tal como é e aproveita-o ao máximo; então, acredites ou não, terás ainda outro presente extraordinário à tua espera: o amanhã.
Autor Desconhecido


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