All for love

13 julho 2006

Deus Abençoe as Más Mães

Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais, eu dir-lhes-ei:

“Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão e a que horas regressam a casa;
Eu amei-vos o suficiente para ter insistido que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar;
Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia;
Eu amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono:”Eu roubei isto ontem e quero pagar”.
Eu amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, 2horas, enquanto limpavam o vosso quarto (eu teria feito isso em 15 minutos);
Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações me partiam o coração:
Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver: fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos;
Mais que tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando eu sabia que iriam odiar-me por isso.

Estou contente. Venci!
Vencemos todos, porque quando os vossos filhos vos perguntarem como era a vossa mãe irão dizer:”Era má, era a pior Mãe do Mundo”. E nessa altura irão contar-lhes:

“Os outros miúdos comiam doces ao pequeno-almoço, nós tínhamos de beber leite e comer flocos;
Os outros miúdos bebiam cola ao pequeno-almoço e comiam batatas fritas, nós tínhamos de comer sopa, 2º prato, fruta e sentados à mesa;
Era quase uma prisão, a mãe tinha de saber sempre onde estávamos;
Ela tinha de saber quem eram os nossos amigos e o que fazíamos com eles;
Na verdade ela violou as leis do trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, aprender a cozinhar, aspirar, esvaziar o lixo e todo esse tipo de trabalhos cruéis. A mãe nem dormia a pensar no que nos havia de mandar fazer;
Insistia sempre para que lhe contássemos a verdade e até nos conseguia ler os pensamentos…Era mesmo chata a nossa vida!
A Mãe não deixava os amigos buzinarem para descermos. Tinham de subir, bater à porta, para ela os conhecer;
Enquanto já toda a gente podia sair à noite, nós tivemos de esperar pelos dezasseis anos,
Por causa da nossa mãe nós perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de prioridade, nem fomos presos por qualquer tipo de crime… Tudo por causa dela!

Agora que sou uma pessoa adulta, honesta, educada e responsável também tento ser uma “Má Mãe”. Aliás, acho que um dos males do mundo hoje é: NÃO HAVER SUFICIENTES MÃES MÁS!