Pedaços...
E a vida inicia quando menos se espera e quando quase se desespera em querer a presença daquele...que a fará mais feliz....que a fará vislumbrar o mundo com outros olhos..
Não, não foi aquele lindo dia em que a sua mãe a libertou do seu ventre, nem o dia em que se formou, nem sequer tão pouco, aquele conjunto de dias especiais... nasceu no dia em que achou que alguém a iria amar de verdade...coisa pouca?! Quem seria capaz de acreditar na possibilidade da realização desse sonho?
Há quem sonhe com coisas e coisas... mas também existe alguém que deseja apenas amar e ser amado...sem mais nada...só com amor....pois só o amor pode encher o peito de um sonhador deste tipo...
Quando se deseja muito algo, faz-se de tudo voluntária ou involuntariamente para o conseguir, sem no entanto, passar a barreira...pelo menos para quem apenas quer viver cumprindo com a vida......então faz-se de tudo ou quase tudo, até o dia em que se é obrigado por forças maiores a desistir... a desistir de um sonho como se desiste de uma vida... a deixar o mais importante para ficar com quase nada!!
Há aquele dia em que se conhece a força do amor, e depois o dia fatídico em que se tem que abdicar dele....todo o resto perde a cor, perde a magia...e o sorriso que traz de volta a vida, desaparece, como se alguém fosse capaz de viver verdadeiramente sem ele...
O ser humano quer sempre mais... mas também há aqueles que querem sempre melhor, uma vida melhor, um mundo melhor, um sonho melhor, uma vida plena... parece sempre impossível, mas vai-se tentando...depois até se consegue alcançar e a parte melhor sabe tão bem que se deixa de conseguir imaginar viver sem ela....quando não tem mais volta, todo o resto que também era para ser o melhor, sabe a pouco, sabe a quase nada. E a energia que alimentava a vida fica adormecida para quase sempre...até o dia em alguém a abana tanto, em quem alguém reclama tanto o seu sorriso, que se deixa aquela ideia e se tenta viver a parte melhor, mas pensando, que essa nunca será melhor.
As pessoas são demasiado egoístas e talvez por isso as relações tenham cada vez menos futuro...mas incrivelmente à aqueles que apenas começam a ser egoístas depois de descobrirem as relações sem futuro...ficam a viver apenas com aquilo que restou: a pura desgraça. O egoísmo começa quando se recusam a partilhar a sua dor, uns porque pensam serem incompreendidos, outros porque acham que a dor não é coisa que se partilhe...afinal, o que há de melhor na dor?!
Parece tudo tão dramático!! Mas afinal, alguém morreu? Talvez tenha morrido um pouco de cada um....
Escreve na esperança que as palavras libertadas a libertem do seu sofrimento, que fez com que a sua vida dê-se uma volta de 360º graus negativos...tudo ilusão....tantas outras coisas ficarão por dizer, por explicar, por entender...tantas memórias presas a um vazio ..agarradas a uma caixa que não pode mais ser aberta...como se de lá saísse uma força derrubadora... o que pode ser pior? O que teme ou o que simplesmente vive?!
Apenas se quer muito e se deseja muito pouco, um príncipe quase impossível de encontrar e depois um, que passa por si, e a impossibilidade de o agarrar...ninguém lhe pertence...não pertence a ninguém....mas acha-se que a presença já significa pertença.. mesmo quando muitos quilómetros se metem pelo meio, ainda pode haver presença... ainda assim, não há pertença.
Contos de fada? Talvez quem esteja muito habituado a contá-los acredite! Esperanças ou fés....nada existe realmente...é tudo passageiro...não valemos nada e somos tão importantes. Quer-se tanto VIVER, mas deseja-se a morte...quer-se tanto lutar, mas desiste-se a cada queda...como se nada tivesse mais volta... e tem?
Aquela dor, afinal não é metafórica e quase pensa consultar um especialista. Assusta-se...o medo, sempre o medo!! Será que se pode morrer por sofrer de uma doença tipo amor negativo vezes amor positivo? E será que alguém virá ao seu funeral com uma morte causada por uma patologia dessa natureza?! Será que alguém vê que se “morre”?! Não andarão todos imensamente ocupados, não andarão demasiado cegos com tantos pares de óculos?! Mas será que alguém interpreta o que lhe vai na alma?! Quando só umas olheiras, uns quilos a menos, a falta de sorrisos, a falta de ideias ou sugestões, a falta de paciência ou de sonhos são visíveis!?
Talvez por isso alguém que sofra disto se sinta tão só... todos entendem, mas ninguém vive assim...todos vivem de modos diferentes...todos se querem entender...mas ninguém se entende... existe aquela linguagem maravilhosa do amor...mas quando se fica sem um amor, não há linguagem que comunique connosco de verdade... tudo soa a vazio!!
Todos ensinam:“ A VIDA TEM QUE CONTINUAR!”. Mas quem é que acredita nisso? Quase todos o dizem, mas ninguém é realmente capaz de o fazer. Quantas feridas ficaram por curar? Tem-se que tentar ajudar.. e a intenção é que tem que contar... é tudo disparate... já ninguém acredita no que diz.... enganam-se todos os dias, ocupam-se o mais possível... e eis que se para e se chora sem perceber porquê? PORQUÊ?
Às vezes sente que se faz de vítima... todos passam por isto de vez em quando, de uma forma ou de outra....quantos não sofrem em silêncio desilusões dessa natureza... Tenta pedir socorro ou protecção? Está mesmo difícil!! Tenta desculpar-se de uma culpa de que não tem culpa? Ou será que tenta pedir-lhe uma segunda oportunidade?! Sabe que era isso que mais desejava, mesmo sabendo que todo o seu sofrimento teria sido inútil.... no segundo em que pensa “ACABOU” uma última lágrima cai, mas será que é mesmo a última?! As certezas são poucas, mas sente-se possuidora de um pequeno oceano construído com as lágrimas salgadas do fim do amor do seu amado.... quando for possível pôr fim ao seu amor, esse oceano já será grande de mais para ficar cá na terra.... e ela espera poder libertar-se dele para sempre..
Fica a frase que diz: “um primeiro amor pode não passar nunca, mas acaba sempre”. ...pelo menos para ela acabou...
Depois recorda-se o dia em que se conhece alguém especial, e não é aquele dia, o primeiro ou segundo ou até o terceiro. É um dia qualquer, numa circunstância qualquer, em que se vê o especial de tudo. É ele, ela sabe que é ele, ou se não sabe, quer descobrir. Então dá-se um passo em frente ou até dois ou três...pelo menos parecem gigantes para quem está habituado a calcular todos os passos. Existe o medo, existe sempre o medo, mas arrisca-se porque se quer arriscar.
O primeiro beijo acalma o medo, liberta o desejo e já não se quer parar. Ainda fica o medo, pelo menos a sua sombra. Se as certezas não existem, persiste o medo. A partir daí, busca o conhecimento, não para se tornar crítica, mas para saber o que de melhor pode ser para aquele alguém especial. Não se quer tornar diferente, apenas dar o seu melhor, sabendo o que é melhor para o outro.
Os dias passam, comemoram-se esses dias como vitórias ou até como prémios de quem não acreditava, mas esperava pelo especial. Combina encontros, mas também há desencontros. Procura o prazer, mas sempre receosa de quase tudo. Afinal, aquele maldito livro de instruções para coisas especiais não existe de verdade. Talvez as coisas especiais não tenham traduções ou passos, por serem tão especiais e únicas.
Os meses vão passando e algures no meio desse tempo surge um segredo ou talvez apenas expressões carregadas de medo. O efeito é devastador e a paz, a harmonia esgotam-se para mais tarde regressarem com um pequeno disfarce. Escondem-se os medos e as incertezas, adiam-se as decisões ou explicações inexplicáveis. Caminha-se ou tenta-se caminhar no mesmo sentido, mas os passos são cada vez mais incertos, mais inseguros, mais baralhados.
O tempo vai passando....comemoram-se os meses, vive-se o melhor ou vai-se vivendo...pelo meio, as distâncias, os sacrifícios, mas também as surpresas, as esperanças, as alegrias...o reconforto da alma! Tudo vai ilusoriamente passando, pelo menos faz-se por isso. O ser humano vive enganado! Depois faz essa descoberta ou até pensa que a faz, e a desordem instala-se.
Medem-se as consequências, apuram-se as causas, fazem-se promessas... promessas de amor.. divinal! Deveria ser divinal...se esse amor fosse a dois, de mão dada pelo caminho da vida. Alguém tropeça ou tropeçam os dois. O amparo para a queda é procurado longe de tudo, perto de quase nada, distante do mundo, num mundo só seu. Onde até então, habitava um sonho, que deve ficar esquecido para sempre.
Mas o que é sempre, se sempre lhe ensinaram a ter fé, se sempre lhe disseram que a esperança era última a morrer, se sempre se luta pelo melhor e se esse melhor quer ficar perdido para sempre? O amanhã diz muita coisa, só que nem sempre se ouve o que mais se quer. Por outro lado, não pode viver agarrada àquilo que nunca vai ser dela. Pois se não vai ser dela, deve parar de pensar.
O que fica depois de tudo são as memórias, o vazio, o recordar daquilo que não pode nem deve mais ser recordado. A dor confunde-se com desgraça, a vida confunde-se com morte, a comida confunde-se? Não sabe a nada! Mexe o corpo para não desiludir, nem preocupar quem a rodeia, para cumprir com as suas obrigações ou deveres, para não se sentir mais inútil do que a inutilidade do seu amor para quem já não o pode dar. A vontade confunde-se com o silêncio, o movimento com o sinal invisível dos seus reflexos. O aconchego mais apetecível é a escuridão. Não o escuro de uma sala, de um quarto ou mesmo de um monte de cobertores sobre os seus olhos. Mas o escuro da alma, o fechar dos olhos para um outro mundo onde se pensa que não se sente, que não se vive, que não se sofre. Mais ilusão!
Até pode existir o sono, mas em lugar do sonho regressa o pesadelo. Então volta a viver a dura realidade e até no escuro encontra a dor, contemplada nos olhos daquele especial, que a olha e lhe grita ACABOU!
Mas a vida tem mesmo que continuar e os dias vão passando e a dor parece que se vai acalmando...mais ilusões, apenas as estratégias de ocupação da sua cabeça são mais bem sucedidas...e a esperança da volta do seu amor fica mais fraca. Pergunta-se quanto tempo mais vai precisar...quanto tempo terá que passar para se sentir como antigamente, antes de o conhecer?....Ela sabe que isso jamais será possível! Nunca o poderá apagar da sua vida como uma onda apaga as pegadas na areia,... a sua vida ficará marcada para sempre por ele.
Foi tão maravilhoso, que chega a sentir-se orgulhosa ou até sortuda por se ter cruzado no caminho do seu amor. Só que ela queria mais, muito mais! Chega a sentir-se ambiciosa, o ouro não existe para toda a gente...já não pode querer mais...terá que se contentar com a prata! É tudo muito cinzento, ela precisa da cor....o amarelo é que a faz brilhar. Sente-se como um vidro sujo, baço....da sua janela vê tudo mais escuro.
A resposta ao “Tudo bem?” nunca mais foi bem, identifica-se mais com o menos da expressão “mais ou menos”....
Pergunta-se como andará o seu amor em busca de outra vida. Sim, parece que se tem que mudar de vida, que já não se consegue ser como antigamente.
Deseja continuar a ser sua amiga, mas é lhe demasiado doloroso.
Tantas vezes recusou viver experiências de amor com outros e agora que estava disposta a tudo, enganou-se....
Agora não lhe apetece tentar mais encontrar príncipes, mas tem medo da solidão.
Já desistiu de comer, de tentar ficar bonita, de fazer desporto, de se aperfeiçoar no seu trabalho, de lutar, de sorrir...o medo instalou-se e não vê a hora de se libertar dele para dar espaço à vida.
Teme ser alguém desinteressante...se se perde o interesse pela vida e por nós próprios, deixa-se de ser interessante.... as pessoas deixarão de olhar para dentro de si, pois já nada lhes “salta à vista”, já não as cativa. Fica escondida...tenta-se proteger do mundo e fica cada vez mais perdida.
Não adianta enganar-se, já nada mais será igual...por fora até pode ter o mesmo aspecto...mas o sentimento que está dentro de si muda tudo e torna tudo diferente.
Os outros...dizem-lhe coisas especiais, fazem críticas sem saber, ou vão-lhe dando apoio...é mentira, pois cada vez que lhe dizem “tens que o esquecer”, obrigam-na a recordar que acabou! E ela fica ainda pior.
«Depois conheces alguém especial.. ainda és nova...se ele não gostava de ti....foi melhor assim...o que não falta por aí é homens...tens tempo...»TRETAS!
Está tão desiludida...
Sente tanto a sua falta...
Queria aquele abraço...só que era o abraço para a vida e não apenas meio abraço...
Há uma música que ouve quase todos os dias...pelo menos naqueles em que não é capaz de a recusar....então sonha estar nos seus braços como se ele ainda pudesses ser o seu angel.... e chora porque não pode ser mais...ou pelo menos não pode recorrer aos seus braços.
Quer sonhar mais um pouco... Sabe que jamais poderá ser perfeita, mas tentou sempre fazer tudo bem na vida...e acha que não merece uma história com um final destes....
Recorda que sempre achou os mais sofredores os que tinham um coração melhor.... mas no fundo, todos sofrem! É claro que uns têm mais sorte que outros...mas a vida reserva sempre umas surpresas para todos.
Sabe que está a ser injusta... vê apenas aquilo que quer ver...e as coisas boas que tem, tornaram-se invisíveis....
Passaram os dias, as semanas, os meses... ainda tem saudades dele...ainda chora...ainda se lamenta...mas ainda tem esperança e ainda sonha...mais um erro....sabe que ainda o ama.. mas também sabe que ele ainda não a ama... sabe....mas faz paragem de pensamento. ..e se...
A resposta ao seu pedido silencioso vai ser um grande “NÂO”.... sabe que ainda vai chorar por um tempo e que lhe vai custar acostumar à ideia....
Espera que ele seja muito feliz....com tudo ou com nada do que mais precisar....
Também sente raiva dele, por tudo o que ele a esta a fazer passar, por não lhe dito logo as suas intenções, antes dela se apaixonar.
É completamente ridículo ver duas pessoas que se gostam a separarem-se porque... nem sabe bem porquê...
Espera estar enganada mas vê nos seus olhos que ele gosta de si.....
Espera que ele não se arrependa de nada, porque por sua causa deixaram de ser namorados felizes.....e perderam um futuro que poderia ser simplesmente maravilhoso!!


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