All for love

29 novembro 2006

Rasto de uma Guerra

O prazer da morte, a dor das lágrimas, a visão dos feridos, os restos de lares, as famílias desfeitas, a doença das mentes, o desejo de vingança, o encontrar dos culpados, a luta pela água, o desespero pela comida, a procura de recursos, a fuga às epidemias, as vítimas inocentes, os funerais apressados, as notícias repetidas, o número de desaparecidos, a destruição de aldeias, o número de refugiados, o sangue derramado, a insegurança no dia a dia, a revolta por dentro, a espera pela ajuda, o recomeço de uma nova vida com um ponto de partida nada animador, um vazio por dentro e por fora… perante o olhar impotente de um mundo que assiste a um cenário tão desolador como tão desnecessário. Daqui podemos fazer um clic na TV, no noticiário e tentar esquecer a quantidade de irmãos que sofrem, mas à sempre um resto de memória e um sentimento profundo de tristeza. Ah e se pudéssemos… e não podemos?

Conheço a paz, os sorrisos, as conquistas, as amizades, os abraços, o toque dos teus lábios, os teus sonhos, os teus projectos, o teu trabalho, a tua casa, a tua família, o teu lar, os teus cozinhados, os teus bens, o brilho das festas, a cura nos hospitais, as tuas economias… tudo bem mais perto de mim! Conheço-me!...

Mas não posso negar a outra realidade, onde uma escuridão imensa os persegue e tão poucos de nós podemos levar uma luz.

Porque sobre a paz está tudo dito… é só preciso fazê-la.

27 novembro 2006

Um conto

Era um casal pobre. Ela trabalhava à porta da sua barraca, pensando no seu marido. Tinha uma linda cabeleira preta. Ele ia todos os dias ao mercado vender alguma fruta. Quando chegava, sentava-se à sombra de uma árvore, com o cachimbo vazio na boca. O dinheiro não chegava para o tabaco.
Aproximava-se o dia do aniversário do casamento, e ela pensava no que poderia oferecer ao marido. Mas onde ir arranjar dinheiro para o comprar? Teve então uma ideia. Sentiu um arrepio ao pensar nisso, mas, ao decidir, sentiu uma grande alegria; venderia a sua linda cabeleira para lhe comprar tabaco.
Ela já imaginava o seu marido, sentado no mercado a fumar o cachimbo com um aromático tabaco, dando-lhe a solenidade de um importante comerciante. Obteve pela sua cabeleira não muito dinheiro, mas o suficiente para comprar do tabaco mais fino para o cachimbo.
Ao fim do dia chegou o marido. Vinha a cantarolar. Trazia nas mãos um pequeno embrulho: eram uns pentes para a sua mulher, que tinha comprado depois de vender o seu cachimbo…
Abraçados riram-se até o amanhecer.

Comentário
Tanto ele como ela tiveram a preocupação de tornar o outro feliz.
Viver na caridade é, fundamentalmente, procurar tornar o outro feliz, mesmo que isso exija sacrifício, renúncia, esforço.
Viver na caridade é ter como referência a pessoa de Jesus Cristo, o homem que fez da vida uma doação, o homem que mais amou.
(autor desconhecido)