All for love

24 maio 2005

A infância não volta atrás...e o tempo?

Cada vez mais vejo com os meus próprios olhos crianças ainda bastante novas ocupadíssimas...os pais, esses, estão também ocupadíssimos, pois precisam de trabalhar, de dinheiro para manter os seus filhos assim...
Ninguém discute o amor dos pais, por detrás disto tudo está o querer dar-lhes o melhor, proporcionar-lhes o que nunca tiveram, desenvolver todas as suas capacidades, em suma, estimulá-los ao máximo. Então existe a natação, o inglês, a informática, o piano, etc.. Tudo por uma boa causa, tudo em prole das crianças.
Mas afinal o que é ser criança? Vejo a saturação nos seus olhos, a falta de carinho e de mimo e finalmente a falta de tempo dos seus pais. Ninguém disse que a vida é fácil. Ninguém disse que educar um filho ou dois ou três é fácil.
O salário que custa tanto a ganhar, pois à conta dele perde-se muito tempo sem os filhos...esse vai quase todo para actividades dispersas de ocupação do tempo dos seus filhos. Depois guarda-se algum para comprar o brinquedo que mais se quer, o chocolate, o rebuçado...e parece que se compra o amor dos filhos.
Já quase não há tempo: para ir levar o filho à escola, e muitas crianças chegam na carrinha logo pela manhã bem cedo; para falar com a educadora ou professora que passa tanto tempo com a criança; para ir buscar a criança à escola, lá vai ela na carrinha até ao ATL. Depois quase sempre à hora em que fecha e muitas vezes atrasados lá vão buscar o filho ao ATL, para o levar para mais algumas actividades ou então simplesmente para ir para casa. Ainda assim, não há muito tempo, é preciso fazer o jantar, arrumar a casa, ver televisão ou simplesmente ler o jornal. O filho, esse, apenas vai ouvindo: “agora não temos tempo”.
Quero pensar que não é tudo assim tão negro e sei que há excelentes pais por aí. E aqueles que não o são também o tentam ser. Mas é preciso pensar. As crianças deixam de ter tempo livre, tempo de recreio ou brincadeira e sobretudo, tempo para sentir o verdadeiro amor dos seus pais. Vão crescendo sobrecarregadas de tanta coisa, mas com muito pouco do essencial. Há sempre tempo para estar e para amar os filhos, não o desperdissem!

15 maio 2005

A vida....


A tartaruga, dirigindo-se aos homens
Devagar, eu? Nem nisso penso.
Apenas vou, seguindo o ritmo
da natureza a que pertenço.
Eu caminho e vivo
como cresce a erva (devagar?)
como se enchem de flores as árvores
e se formam os rebanhos de nuvens no ar.
Vocês é que vão desenfreados
e só vêem manchas, bocados do que existe,
como se estivesse alguém a empurrar-vos
...É muito triste!
De corrida em corrida, como a lebre,
chegareis antes de mim ao fim
da grande corrida que é a vida.
Só que não ides ganhar, mas perder,
e, o que é pior,
sem ter visto nada,
deixando quase tudo por fazer.
Devagar, cada vez mais devagar
eu também lá acabarei por chegar.
Terei então ganho a corrida
e, principalmente,
a vida.

Álvaro Magalhães, 1986, 1991, in «O reino perdido», Edições ASA, Porto

01 maio 2005

Um poema à mãe

Quem nos embala

Quando não conseguimos dormir

Quem nos dá colo

Quando não temos para onde ir

Quem nos sorri

Quando não temos forças para sorrir

Quem limpa as nossas lágrimas

Quando elas teimam em cair.

Quem acredita em nós

Quando deixamos de acreditar

Quem se preocupa

Quando as horas estão a avançar.

Quem descobre a nossa tristeza

Quando dizemos que está tudo bem

Quem acalma os nossos medos

Quando tememos o que aí vem.

Quem escuta o nosso silêncio

Quando não sabemos o que dizer

Quem pensa nos pormenores

Quando nos esquecemos de os ver

Quem desculpa tudo

Quando é difícil perdoar

Quem tem tempo

Quando ele não pára de andar

Quem sofre

Quando sofremos

Quem se alegra

Quando crescemos

Quem se orgulha

Daquilo que fazemos

Quem é nossa amiga a vida toda

Quando as amigas tendem a partir

Quem nos diz

Aquilo que precisamos de ouvir.

Quem nos ama incansavelmente

E o seu amor dura eternamente.

Uma mãe é tudo

E a minha é tudo para mim!

Obrigado!