A infância não volta atrás...e o tempo?
Ninguém discute o amor dos pais, por detrás disto tudo está o querer dar-lhes o melhor, proporcionar-lhes o que nunca tiveram, desenvolver todas as suas capacidades, em suma, estimulá-los ao máximo. Então existe a natação, o inglês, a informática, o piano, etc.. Tudo por uma boa causa, tudo em prole das crianças.
Mas afinal o que é ser criança? Vejo a saturação nos seus olhos, a falta de carinho e de mimo e finalmente a falta de tempo dos seus pais. Ninguém disse que a vida é fácil. Ninguém disse que educar um filho ou dois ou três é fácil.
O salário que custa tanto a ganhar, pois à conta dele perde-se muito tempo sem os filhos...esse vai quase todo para actividades dispersas de ocupação do tempo dos seus filhos. Depois guarda-se algum para comprar o brinquedo que mais se quer, o chocolate, o rebuçado...e parece que se compra o amor dos filhos.
Já quase não há tempo: para ir levar o filho à escola, e muitas crianças chegam na carrinha logo pela manhã bem cedo; para falar com a educadora ou professora que passa tanto tempo com a criança; para ir buscar a criança à escola, lá vai ela na carrinha até ao ATL. Depois quase sempre à hora em que fecha e muitas vezes atrasados lá vão buscar o filho ao ATL, para o levar para mais algumas actividades ou então simplesmente para ir para casa. Ainda assim, não há muito tempo, é preciso fazer o jantar, arrumar a casa, ver televisão ou simplesmente ler o jornal. O filho, esse, apenas vai ouvindo: “agora não temos tempo”.
Quero pensar que não é tudo assim tão negro e sei que há excelentes pais por aí. E aqueles que não o são também o tentam ser. Mas é preciso pensar. As crianças deixam de ter tempo livre, tempo de recreio ou brincadeira e sobretudo, tempo para sentir o verdadeiro amor dos seus pais. Vão crescendo sobrecarregadas de tanta coisa, mas com muito pouco do essencial. Há sempre tempo para estar e para amar os filhos, não o desperdissem!

